sábado, 27 de fevereiro de 2016
visto-me de auroras...
Cá estou de novo, vou acender a lareira, fazer a reconciliação com o tempo e deixar-me engravidar de saudade, lembrar daquela lareira pequenina onde me sentava a comer as minhas migas de café... depois dum dia frio mas ensolarado onde me deixava baloiçar ao sol... horas a fio... faço uma pausa, recomponho-me aqui não há cheio e nem vazio, calor ou frio, há sómente uma torrente de recordações, que se vão desmoronando com o caminhar já longo...sardinheiras em flor, águas que me falam de amor, papoilas de abraços, que ainda me seguem os passos, e tudo tem uma razão e tudo faz ninho no meu coração...visto-me de auroras, agasalho-me nos poentes, e assim as horas passam-me indiferentes, vêm as rolas, as cotovias, e os melros pousam nas malvasias, oiço as enxadas de sol a sol, e morro no tempo a saber-me viva, afrouxam os dias, correm os dias e eu semeio versos...crepita a saudade da terra e do pão e em mim cresce a solidão....
Florência de Jesus
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