quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

a alma suspensa...





o tempo passa e já pouco me move, com ele os dias vão e já não é vasta a alegria de viver como outrora, e a vontade de quando em quando anda escondida num esconderijo do meu cérebro, mas há sempre um relógio no meu interior que mansamente me desperta e me vai levando mais um pouco avante e aí me sinto como uma criança silenciosa que só agora acordou e vai acolhendo a vida conforme ela se lhe depara... e lá vou enchendo de palavras o ar que respiro. e ao mesmo tempo recordando a infância, relembrando o anoitecer morno das tardes de fim de verão no lugar onde nasci, as gentes que amei, as flores baloiçando ao vento e o perfume macio vindo dos laranjais, lá fico a sonhar, volto a noivar, sou menina do campo trago a luz da primavera nos olhos, a voz fresca como uma manhã orvalhada, nos cabelos o odor a hortelã e a alma suspensa como se fosse renascer de novo...e, milagrosamente saio do labirinto, acolho a vida sem nevoeiro, ao contrário, prometendo-me sol nos canteiros do meu coração...perco-me no infinito da memória, fecho os olhos e do sonho não pretendo mais acordar e nem o aroma das letras me trará de volta.

natalianuno

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