domingo, 21 de janeiro de 2018

agora que o sol se pôs....



o tempo sequestra suas asas e algema o sorriso, os sonhos fazem-se nela silêncio, e a saudade faz-se grito...despe-se de Maio, veste-se de Outono, e os olhos secam...aos ombros carrega a tristeza. e no cartaz fala de esperança que ainda lhe resta, feita de retalhos...alimenta no peito gaivotas, lembranças que vão e voltam trazendo saudade de si, assim, nesta amarga condição vê chegar o frio à vida e o vazio à mente... o corpo de garça abriu e fechou em flor, traz recordações presas às raízes da memória em conflito com o presente  e a idade sabe de cor embora de Janeiro faz por esquecer o ano inteiro, da sua boca rebentam palavras de cor outonal, navega em dois rios, num deixa-se levar pela trama do tempo, e no outro pega nos remos e rema contra a maré com fé, enquanto o coração estremece e, ainda que nada regresse, volta sempre ao lugar do sonho sem ousar despertar... cansada da viagem,  perdida desse resto de si, olha a imagem e como louca ri...

natália nuno

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