terça-feira, 20 de junho de 2017
já não corro, mas voo...
estava eu tão feliz naquele momento, o dia claro, umas nuvenzitas brancas e todas as chaminés da aldeia fumegando, brilhavam meus olhos num rosto apetecido à espera dum jovem por mim enlouquecido...no meu corpo passou o silêncio e voei como uma andorinha em busca da primavera do amor, tanta doçura nos olhos, tanto bravor no coração, tanta juventude...é bom regredir no tempo, abraçar de novo o sonho agora que sou o barco preparando-me para partir levando a recordação do amor vivido permanente no pensamento... este é o retrato duma mulher madura, frágil, triste e desassossegada, lembrando a inesquecível adolescente de pureza intacta, hoje esmorecida num lamento, trazendo em si uma luz nostálgica e enternecida no olhar...escancaro as janelas da minha alma, deixo para trás o desencanto e vou continuando a sonhar, dissipando as minhas névoas, desprendendo-me da realidade, misturando realismo, imaginação e ternura quando a vida já pesa...
natalia nuno
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