domingo, 18 de junho de 2017
o aroma das lembranças...
acendi o candeeiro a petróleo da mesa verde, onde permanece a jarra com um lírio à minha espera, a casa retém o cheiro a lareira acesa um hálito que tolda meu coração e a certeza... é o ninho que deixei! - uma cotovia ainda se instala no telhado arrulhando baixinho, e posso sentir em suspenso todas as vozes que ainda percorrem a minha memória, aqui fico cativa com o intento de fazer perdurar o sonho... lá fora a trepadeira assiste a tudo, urdindo cegar-me com a sua beleza... quantos degraus havia?- sete, como recordo com nostalgia!- no terraço o vento quebra o silêncio, sento-me na cadeira do pai , escrevo aos ausentes e dobro-me perante a saudade que me assalta nesta momento....há um rio de água cálida que me abraça pela cintura, e um loureiro que me despe a alma com ternura, tudo me oferecem mas me negam, tal como o tempo me nega o rosto e eu sinto o desgosto...ouço um ranger, vai agora o sol a prumo, talvez seja meu pai de volta entreabrindo a porta e meu coração de alegria se solta, cresce o pó na minha lembrança, afasto a cortina, adentro-me em mim mesma e deixo-me a sonhar aqui na casa da ladeira...onde eu fui por inteira... criança, lírio silvestre da ribanceira....
natália nuno
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