terça-feira, 24 de maio de 2016

no silêncio das pedras....



no tempo em que o tempo passava mais devagar...tempo que deixava viver, esperar, sonhar...ardiloso, manhoso, a quem dávamos pouca importância, era apenas um intruso que servia para tudo ou para nada, lá, no tempo onde existíamos sem datas, porque nelas não pensávamos... nem necessitávamos de respostas, onde era inesgotável a alegria, quando o corpo era novo e nenhuma sombra crescia, tudo era linguagem do amor, o coração pulsava... hoje, apenas se recorda!...e mais uma ruga se inscreve no rosto desenhando o cansaço e o desalento que fatalmente vem interromper o vôo, trazendo temores e ansiedades, saudades, deixando a luz do olhar sem memória pouco a pouco...tudo não passou duma quimera, dum passar de anos que marcaram a pele,  e encheram de abulia os dias, e assim a vida passa a ser como um dia condenado a ser noite...já não se colhem mais certezas nem sonhos, apenas nos olhamos velhos e recordamos a criança da nossa idade sem tempo...

Florência de Jesus

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