quarta-feira, 18 de maio de 2016
como rio feito gente...
deito-me ao lado das flores, oiço os suspiros do sol que amadurecem os lírios e despertam a terra, encerra-se mais uma noite de sombras aonde a saudade e eu recordamos amores e tecemos estrelas, vieram giestas a correr pegar-nos na mão, quebrar a nossa solidão, ouvimos o riso das amoras no silvado, e o coração ficou quebrado, sem tecto nem chão, sem andorinhas no telhado...só o xaile da mãe pra me enrolar, na memória d'outro madrugar e afagos de ternura, onde reverdece a doçura... há flores em silêncio na moldura do sol do meio dia, os junquilhos vão abrindo com alegria e na teia das horas há chilreios abertos sobre o jardim e saudade futura onde a ausência será só de mim...morrerei inteiramente como rio feito gente que não volta mais à nascente...
Florência de Jesus
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