domingo, 24 de abril de 2016

sonhos de água...



cai a noite  no duro silêncio, e ela como uma flor que secou... esforça-se por chegar à Primavera, lá onde a noite se esconde e o dia aclara,  estrelas vêm agora descendo, trazendo-lhe a luz prateada que a faz viajar até outras idades, quando as papoilas eram mais vermelhas  os pássaros  pousavam-lhe no ombro e o rio chamava por ela...inventava milagres, agora, traz com ela saudades, seu pensamento é cais onde os suspiros aportam, no ventre da sua aldeia deixou o coração no silêncio dos peixes do rio, e suspiros são estrelas cadentes até hoje a pairar no céu azul da terra que não esquece, como se asas tivessem seus pensamentos voejam por entre os laranjais de flor branca e odorosa, adormece sempre às portas da manhã colhendo figos pingo-mel, e a ouvir os galos quando a madrugada já se avizinha... sonhos de água são miragem, ao longe a imagem um pouco desbotada já quase varrida, e vai ela procurando sempre sentido para a vida.

Florência de Jesus

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