quinta-feira, 14 de abril de 2016

caem aves na minha imaginação...



a ave...chega, mas já traz com ela um adeus no olhar, parte, e pousa noutro lugar, são as pupilas da primavera, as meninas dos nossos olhos, fazem um traçado de comoção e confortam-nos o coração...olhamos à nossa volta e ficamos com um sorriso até à cintura e rodopiamos como se a nossa arte fosse também voar em liberdade, comêssemos bagas pendidas dos arbustos, e cantássemos com delicadeza com que elas chilrreiam...mergulho em meus pensamentos na estranheza da noite, despenham-se as estrelas perante meu olhos, escuto a lua que quase me toca, ardo na tristeza dos dias sombrios, sobre a manhã estende-se o orvalho junto do meu peito, em mim a solidão obscura, lá fora o cinzento do dia tímido que vem atrasado e se esqueceu do sol, rodopiam as aves na minha poesia, caem na minha imaginação e cantam, cantam com paixão...

Florência de Jesus

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