quinta-feira, 21 de setembro de 2017
entre a noite e a insónia...
olha de novo o céu de nuvens cinzentas, seus pensamentos ledos e tristes vagueiam perdidos, a ternura que a percorre é como a frescura da manhã, caminha solitária e seus passos são lentos como o gotejar da mais íntima fonte, nos olhos molhados traz a saudade, mas no coração, sempre a mesma sede de abraços...seu sorriso de murta e jasmim vai-se abrindo almejando seu desejo de horizontes, já foi esbelta e harmoniosa e hoje se surpreende, o tempo a deixou de fulguração despida, cansada, mas grata à vida por a deixar envelhecer aguarda a noite que lhe traz sempre um sigiloso fogo d'alguma felicidade... ouve de novo o beber das palavras pela folha de papel, e uma luz fugidia desliza sobre o tecto dos seus pensamentos, aproxima-se e evade-se é a recordação a querer fugir-lhe, o peito aperta-se e ela permanece imóvel no silêncio de destroçados muros, permanece na espera que se abram clareiras e possa ser de novo flor imprevisível nascida das águas, seja sede, seja fragrância e de novo fogo e ternura para que possa inventar sonhos e ter tempo ainda de felicidade...quererá deixar pegadas na areia e se o vento as arrasar, sentir-se-à cada vez mais indefesa, apagar-se-à sobre si mesma, será o final sulcado pela morte.
natalianuno
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fui diluindo memórias em palavras sentidas, em pequenas prosas, tal como areia engolida pela mar, resumo de anos vividos, com emoção, ...
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olha o céu de nuvens despido, seus pensamentos ledos e tristes vagueiam perdidos, caminha numa procissão de passos, traz búzios nas ...

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