sexta-feira, 11 de novembro de 2016

no calor da chama



Atravessei ignotos lugares da terra, perdi-me na surpresa , fui andorinha, neste mundo de ventos e beleza...no silêncio das montanhas, nos rumores das cidades, na voz dos mares, no pranto dos glaciares, nas flores cercando-me, nos rios que correram milénios o mesmo caminho, e eu esvoacei fresca na brisa do sonho, numa esperança quase impossível, pois já sou prisioneira do tempo...ele que é inimigo de todo o ser vivente... na caminhada, os meus olhos deixam a penumbra do vazio, enchem-se de luz cintilante como o mar de verão, e nos meus lábios há mel arrancado à dulcíssima beleza que encontro mundo fora, na embriaguez da minha sede de continuar a caminhar, como se nunca fosse terminar o calor desta chama...o meu peito fica verde como frondosa ramagem, e as sombras que me inquietam deixam de me torturar, retiro da vida o espelho que me olha e me acusa e lhe grito: «tu és o meu pior inimigo...» e num misto de tristeza e alegria, surge-me um jardim de memórias que me trazem de volta a vida que encontrei e a que podia ter tido.

natalia nuno

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