sábado, 24 de setembro de 2016

ré desta passagem...



deslizo o ferrolho dos sonhos, deixo as portas entreabertas e sigo o destino dos meus passos, levo o olhar enxuto e no coração a sede dos abraços...fico imune à sentença dos anos, podem vir luas e marés e enfeitiçados oceanos, que não haverá dor que me quebrante nem pena que os meus olhos apague, agarro o sonho e jogo o jogo da vida um pouco à sorte, vencendo a morte e as horas de incerteza, e é assim, sonhando, que o tempo sepulto para que pare o corroer dos meus traços, que deixe de golpear-me a pele, não quero sentir o seu peso a rodear-me, a calar-me a alegria, a consumir-me numa cinzenta melancolia, tornando minha existência enegrecida...quero esquecer o silvo do seu rancor...busco a vida e suplico-lhe amor...

natalia nuno
em homenagem
 Florência de Jesus

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