sábado, 4 de março de 2017
lago de palavras...
as palavras puxam pela memória, às vezes como instrumento de tortura ficam dançando no cérebro, rodopiando com loucura e, numa irreflectida emoção incitam-me à decisão de escrever sentindo nisso prazer e como de costume, a saudade arma-me o laço ... fico a baloiçar, saudade é sentimento muita vez doloroso e a emoção perturba e destrói o coração... escrevo então um lago de palavras onde coloco o mais bonito cisne branco sob a luz das estrelas...criado do nada, surgindo do oásis da minha mente... e o que até então parecia inalcansável, pela exigência da saudade torna-se possível, surge o poema com uma estranha sedução e a sede dum rouxinol ardendo na memória...coloco a inquietude na frescura dos verbos e a dor vivifica nas metáforas, faço juramento que não lavrarei mais versos, nem sequer pequenos fragmentos, deixarei meus pensamentos no silêncio, na dor que passa, onde me exilarei sem retorno como lenda ao abandono...como o recolher duma flor...numa tarde de outono...
natalia nuno
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