domingo, 20 de janeiro de 2019
desabafo...
Talvez me mortifique no vazio da espera, o sol hoje trouxe emoção a pequenas coisas, tocou o meu coração e eu toquei o horizonte azul dos sonhos, aos olhos voltaram pássaros de ternura, na mente o sussurro enfeitiçado da felicidade e nas mãos molhos de trevos avermelhados colhidos na aridez da alma onde brota sempre uma esperança...
natalia nuno
domingo, 7 de outubro de 2018
gota d'água...
Será luz a nova flor que se abre? Permanece o silêncio... talvez só uma comovida flor que o orvalho resolveu golpear, num prazer desperto de levar para longe a semente, com a promessa de fazer tremer a gota de água que a fará germinar...se te amo, é porque deixas o teu perfume a cerejas silvestres! Dá-me a tua promessa, acende meu arco-íris de prazer antes que enferruje a minha esperança e as palavras me resvalem na garganta...como um tíbio raio de sol, onde a claridade já estremece.
natalianuno
domingo, 16 de setembro de 2018
miragem...
uma miragem branca passa pela mente, e esta vai macerando o esquecimento, mas nas sombras dos teus olhos, consigo ver com os meus, que o amor é mais forte e tenaz que a confusão e o caos que às vezes quer apoderar-se do pensamento e apagar o odor a madressilva, o mel quente e o prazer que ainda nos atravessa...no oásis da memória continuam os sonhos como milagre, numa claridade distinta onde permaneces e eu continuo a amar-te...não fugiram de mim recordações que são astros vermelhos de verão a morar no meu coração.
natália nuno
raminhos de alecrim...
hoje vim apanhar raminhos de alecrim, escolho caprichosamente, como se as minhas mãos fossem de delicado artista, que tanto escrevam e me façam sonhar afagando meu tempo de outono...as águas alegres do rio sorriem para mim, um freixo agita a ramagem com a aragem que vai para sul...um constante silêncio, apenas imterrompido pelo chilrear duma ave na azul lonjura...no destino da tarde trazemos lembranças nostálgicas, no coração e no no pensamento, ecos desprendidos da infância, a nostalgia se aprofunda e recordamos os poentes dos dias inolvidáveis e inesquecíveis...mas hoje vim apanhar alecrim aos molhos, e por mim passam todos os dias da minha vida, e no meu coração há sempre uma cicatriz pronta a abrir, deixando-me numa saudade que às vezes é de lágrimas, outras de risos. mas sempre me protege do esquecimento...as minhas mãos recordam essa vida distante, de lavar no rio, de escolher os figos na eira, de segurar a cântara à cabeça, eram estes os afazeres os livros que tanto ansiava e nunca tive... acordar o passado e deixá-lo no meio do silêncio da gente e da natureza, é acender uma chama onde existe força, emoção, e ainda caminho para prosseguir, quase alegre como se tivesse asas para perseguir as palavras que vou plantando neste doce cansaço que me reconcilia com o tempo e com a vida...hoje aproveito a dadiva deste aroma do campo para matar a sede dos meus sonhos. E sempre faço a mesma pergunta: quem és? porque continuas aí? E a menina do baloiço me sorri, já começa a esfumar-se o seu rosto, apenas alcanço a sua ténue voz...já é apenas um sonho!
natalia nuno
sexta-feira, 31 de agosto de 2018
medo...
o peito é um mar sombrio, quando a noite surge enferma sem estrelas...as ondas em movimento brusco, vão em grande tumulto desbravando os meus sonhos de náufraga... a cada dia mais inalcansáveis até me deixarem obscuramente no esquecimento...é este o medo que sobe os muros por detrás de cada sombra...
natalia nuno
carência...
a carência de ti não me abandona, invento tempo de felicidade... meus olhos abertos pelo fogo da ternura voltam a embebedar-se de alegria num beber lento e doce, e a memória volta àquele momento distante quando comecei a desejar-te...
natalia nuno
segunda-feira, 2 de julho de 2018
ainda é meu tempo de viver...
parti, por não ter chão onde semear sonhos, cerro as palavras na boca, deixo-as na terra adormecida do meu âmago, talvez que as sementes germinem mais tarde em horas de saudade e docilmente se entreguem em versos chorosos que embaciem os olhos, ou suspendam a tristeza e o vazio do tempo e venham dourar o verde onde a minha esperança cresce... estranhamente é verão, mas, o dia é de penumbra a memória apaga-se lentamente e eu fico de morte ferida, mas ainda vivo, ainda é meu tempo de viver...exausta parti de mãos vazias, levo os desencantos, vou palmilhando o chão e levo por companhia a solidão, voltarei quando fôr lua cheia, se ainda fôr capaz de aprender a primavera, e as folhas em mim caídas voltem a reverdecer em meus sonhos, eu possa moldar de novo as palavras a meu jeito, e nada impeça que me tragam a promessa de ser gaivota na planície...com olhos de madrugada.
natalianuno
Foz do Arelho
2/7/2018
domingo, 13 de maio de 2018
a usura do tempo...
as palavras são inúteis para trazer de volta o tempo, aquele, em que o tempo não existia, nem sequer tempo para pensar no tempo, tudo era juventude e alegria, mas o tempo passou, contrariando o meu desejo, colocando minha alma no anseio duma nascente primavera que não regressa mais e, não vale a espera...permanece a febre no coração ofegante e eu repito num murmúrio incessante a doçura dum verso, que apesar do tempo ser agora tempo de inverno, não impede que o meu rosto sorria, e as palavras me levem até que me esqueça quem sou, ou até se apagar o derradeiro sentido da palavra...seguirei como se me tivesse enganado na direcção, esquecendo o tempo, por mais algum tempo, tocando as nuvens dos versos... até que os dias fiquem frios e curtos mas, o sonho habite ainda no poema em que vivo.
natalianuno
terça-feira, 17 de abril de 2018
capricho...
Ontem não vimos o sol, choveu sem violência, e ficámos a olhar o rio, esse rio que já é oceano, surgiram mais umas rugas nas têmporas, enquanto as nuvens se afogavam na luz morna da tarde. A noite é agora carvão o horizonte já abraça o crepúsculo, e eu recordo o dia de ontem, pois a amizade me arrancou um sorriso.
Amanhã uma luz macia trará um novo dia, e eu serei o que sou por quanto tempo DEUS quiser, me enviará um sopro doce do vento para me adoçar o peito, que pende um pouco para a tristeza.
A vida vai-se prolongando
e botões de lírio (sonhos) vão despontando.
natalia nuno
domingo, 8 de abril de 2018
rasgando a névoa...
no poleiro da memória papoilas vermelhas a atear a chama antiga, neste outono onde os desejos e os sonhos ainda não empalideceram, e são razão bastante para me arrancarem da solidão... não há rio de tristeza que me afogue, nem loureiro que não me abrace, e eu respiro na margem como se ainda fosse fim de verão, mas já o outono me açoita e o inverno me cerca. uma ameaça fere e suga-me o ânimo...o tempo! quero adormecer sobre minhas lembranças, perder-me nos passos até ao fim da rua onde teu amor me chama, e entregar-me como lírio silvestre se entrega ao sol, num último gesto, logo que a manhã se afoga ou o entardecer se rasga...crio assim em minha mente um espaço de beleza e amor, entre o silêncio e o vazio e, o coração se aquieta...
natália nuno
terça-feira, 13 de março de 2018
tempo de acomodar a saudade...
já foi flor, mas as pétalas foram caindo e as raízes ficaram sonâmbulas na volúpia dos outonos, nas sombras da melancolia...hoje, é recordação e no crepúsculo do peito quando o sol já declina, ainda se permite um brilhozinho no olhar, que aquece o coração e impede que a tristeza assome ... vai prolongando o sonho, esquece os ponteiros que deixaram de existir e que à força lhe tiraram horas de amar, horas infindas e saudosas que a memória ressuscita...e ela, questiona-se sobre quem lhe abrandou o ritmo do coração, quem lhe roubou o acalanto dos devaneios, agora que o cabelo lhe prateia as fontes e a longa existência lhe extravia os pensamentos quando num tímido vôo sonha voar ao passado,.. o tempo sulcou-lhe o rosto, tal como o arado sulca a terra, humilde flor, perdida na emoção do caminho, mas na alma leva a inocência de criança, uma ternura cega e o amor inteiro... a felicidade foi veloz como a cascata dum rio, agora num doce cansaço, tenta a cada dia reconciliar-se com a vida amainando a inquietação do seu outono...já nada lhe poderá devolver o corpo que incendiou o amor, nem o espelho voltará a mostrar o rosto onde tudo era regato de água límpida, era assim, hoje volta a cabeça apenas para dizer adeus...
natalia nuno
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