segunda-feira, 26 de maio de 2025

é sempre a saudade o tema...



febris meus dedos são um tear oculto, cuja agulha se debruça sobre meus medos, que interrompe ou acalma, minhas lamentações, e assim me sinto mais liberta que nem borboleta solta, à volta dos meus versos, abro palavras duras bem no centro do poema, mas é sempre a saudade o tema, sempre um nevado silêncio nas paredes brancas do papel, enquanto não ressurge a metáfora na minha mão com emoção, e num pulsar de magia, as palavras penetram minhas pupilas, como se fossem os mais doces cisnes, no seu livre voo a fluir na minha memória...num lago de palavras, há ecos, e brilhos das ramagens, mas só eu sinto o doce apego por estas imagens, dou a mão à dor, para criar quase do nada um poema d'amor, estranha sedução, em mim como uma chama, a razão e o rigor da mão, a querer que escreva para quem o coração ama...

natalia nuno
imagem pinterest

sábado, 23 de novembro de 2024

sonhos jardins que me acolhem



num instante único dum tempo sem idade, suavizado com o bater do coração, sonho com um abraços e beijos, minhas mãos estremecem, e é como se a vida começasse de novo, instante de felicidade, sentir o mundo, o mundo que era só meu, e eu, abrindo palavras, as mais puras, para criar o meu primeiro poema...na adolescência as flores nasciam-me no peito, eram madressilvas brancas, tudo era paixão e mistério, ardia o sangue na cegueira do desejo, escrevia nostálgicos poemas d'amor, como as labaredas do meio dia, e o amor anunciava-me a mulher que seria, a razão do meu pulsar, sem arremedos do que poderia vir, as palavras eram-me próximas, eu as guardava, cativa da sua essência, como jovem que nada quer perder, falava-lhes em segredo, havia cumplicidade, giravam-me na lembrança, sendo eu ainda quase criança...e, assim na saudade que trago comigo, indago o pulsar mais formoso que os sonhos sempre me ofereceram.

natalia nuno

domingo, 8 de dezembro de 2019

viver o meu entendimento...



o dia cinzento, as árvores sombrias, esforço-me por dissimular a tristeza, tudo cabe no pensamento e ainda lhe acrescento coisas que pensava já não lembrar, a noite veio mais depressa do que eu desejara e toca-me a alma o tempo que eu choro só de recordar e, é sentimento sem remédio que vejo a mim chegar, quantas vezes te encontrei perdendo-te, e outras tantas andou meu coração entretido, até desesperar e andar perdido...queixoso de amor e com razão, mas a sorte é um momento, o amor faz e desfaz...coloco-me nas mãos do silêncio, a vida é tão remota que inquieta meu pensamento, mas o amor ficou, e não há razão para descontentamento, é ele o remédio para o meu mal...

natalia nuno

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

sei de mim...



o pensamento assegura-me um mar de sonhos, com aromas arrancados de vermelhas rosas, e nas sombras das palavras, viverás para sempre nas areias desse mar, hei-de despir-te com a ponta dos meus dedos e, nesse instante de fogo, quero-te na inquietude desta minha sede, quando o sangue brota e o coração pulsa...há begónias que florescem na minha saudade, e açucenas tristes que olham meu rosto,  trago teu nome escrito no meu peito, quero um abraço forte e tudo o que vem de ti aceito... diz-me o pensamento que te  mereço, mas sem um mar de sonhos, enlouqueço! solto um grito de verdade, quero morrer, renascer e voltar a amar-te, para de novo te perder... nesta magoada saudade.

natalia nuno

o despertar...



Será luz a nova flor que se abre? Permanece o silêncio... talvez só uma comovida flor que o orvalho resolveu golpear, num prazer desperto de levar para longe a semente, com a promessa de fazer tremer a gota de água que a fará germinar...se te amo, é porque deixas o teu perfume a cerejas silvestres! Dá-me a tua promessa, acende meu arco-íris de prazer antes que enferruje a minha esperança e as palavras me resvalem na garganta...como um tíbio raio de sol, onde a claridade já estremece.
natalia nuno

domingo, 6 de outubro de 2019

pensamentos...



Penso em como a felicidade nos fortalece e a dor nos enfraquece à medida que o tempo passa...ver os filhos e os netos tornarem-se homens e mulheres, faz-nos abolir do pensamento a passagem do tempo, faz-nos perder a noção de que ele passa e não perdoa, tocando-nos com a sua mão invisível...e quando nos apercebemos os anos felizes e descuidados passaram, são agora como um rosário de orações rezadas.

natalia nuno

quarta-feira, 29 de maio de 2019

novo dia...



Que o dia seja para todos um belo vínculo com a vida, seja anunciador de sonhos e que todos eles se concretizem...o dia ainda agora começa, mas já levo saudade do ontem que me deixou sorrindo perdida nos sonhos duma alegre rapariga de pé descalço e viva ternura, pelos dias que Deus lhe vai concedendo...sem lamentos nem queixas, vai decifrando o caminho ainda a percorrer, com os olhos nas bermas da estrada, com medo do assalto da morte...sentindo náusea enquanto caminha.Há sempre uma voz que a chama, e, na saudade relembra a menina que foi que a tenta libertar da melancolia e lhe sussurra com afecto que jamais a abandonará.

natalia nuno

lembranças de mim...

as histórias que gostaria de ter ouvido contar em criança e nunca ouvi, hoje madura de mil sóis, crio-as para compensar a falta de quando era criança, vivem na minha imaginação desde outros tempos, são como pássaros que voam do coração, em palavras se abrem em flor e é como se semeasse essências pelo jardim, entretanto vou sonhando...assim!

natalia nuno

sábado, 6 de abril de 2019

ilha perdida...



hoje a ladeira está sombria, e a tristeza me desafia, lá continua a saltitar de pés descalços a mesma de sempre, de sorriso nos lábios e com ternura no olhar verde, da côr das margens do rio onde chapinha tardes a fio dando gargalhadas para ouvir os ecos, tão feliz e sonhadora como D. Quixote... tudo se agita na memória e vai morrendo o sol no meu rosto, e o riso em botão esmorece, sou uma ilha perdida, onde joguei minha vida, sem bússola para poder regressar onde tudo já esquece...não me atrevo a ir mais além, murcharam as flores da mãe, já não brotam perfumes das laranjeiras, só as estrelas renascem por lá, em busca dos meus últimos sonhos perdidos. ninguém sabe de meus passos, ninguém segue minhas pegadas,  só a menina dos abraços mas não se ouvem as gargalhadas... é o vento que com uma estranha magia me leva, deixo minha lágrima fria na treva, estão as cortinas cerradas, já não há tecto nem chão, nem o pedaço de pão, apenas a figura esguia descendo a ladeira sombria...

natalianuno

segunda-feira, 11 de março de 2019

Eu e as minhas bonecas de trapo....



ainda hoje os meus sonhos são de assombro e a claridade ainda resiste nos meu olhos como se fosse criança, essa criança que acompanha com seu carinho e amor o meu caminho, sempre com a palavra necessária e certa, a esperança a felicidade e a alegria que um dia foi nossa, após tanta distância unimo-nos, envolvemo-nos em sonhos azuis e escapamo-nos, numa embriaguês onde tudo é íntimo...

natalia nuno

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

pálidas sombras...





as paredes antigas fascinam-me... ninguém, nem o tempo consegue tirar-lhes o ar misterioso, guardam segredos dos que perderam o norte, deixando saudade ou quem sabe sabor amargo com a sua ausência...parece que alguém aguarda por detrás ... quando as olho consigo abstrair-me da realidade... quando a chuva cai do céu e o vento não cala, mantêm-se nelas as cores sombrias duma primavera empalidecida, resta o sol na memória de primaveras risonhas dentro das quatro paredes... fico no sonho o outono cala as minhas sombras, desespera por cobrir a solidão que se faz sentir no peito, apesar da beleza a folhagem vai caindo como um pranto ao acaso e sem medo levada pelo vento norte à sorte...as folhas são lembranças soltas, virá de novo a primavera e logo depois dar-se-à o renascimento, só a vida não volta....

natália nuno