num instante único dum tempo sem idade, suavizado com o bater do coração, sonho com um abraços e beijos, minhas mãos estremecem, e é como se a vida começasse de novo, instante de felicidade, sentir o mundo, o mundo que era só meu, e eu, abrindo palavras, as mais puras, para criar o meu primeiro poema...na adolescência as flores nasciam-me no peito, eram madressilvas brancas, tudo era paixão e mistério, ardia o sangue na cegueira do desejo, escrevia nostálgicos poemas d'amor, como as labaredas do meio dia, e o amor anunciava-me a mulher que seria, a razão do meu pulsar, sem arremedos do que poderia vir, as palavras eram-me próximas, eu as guardava, cativa da sua essência, como jovem que nada quer perder, falava-lhes em segredo, havia cumplicidade, giravam-me na lembrança, sendo eu ainda quase criança...e, assim na saudade que trago comigo, indago o pulsar mais formoso que os sonhos sempre me ofereceram.
natalia nuno
